segunda-feira, 12 de abril de 2010
domingo, 28 de março de 2010
Moda e Comportamento. Opções. Fashion and Behaviour.
Tenho aprendido que é preciso curtir cada momento. Os de alegria com ainda mais alegria, os de tristeza com aceitação e seriedade. Consciência que fazem parte de nosso aprendizado e que, se não há como deixar de vivê-los, lembrar que é possível que estejamos sendo colocados à prova, e que nossa força e persistência nos ajudarão a prosseguir, ainda melhores.
Trabalhar com Moda é considerado, muitas vezes, uma ocupação supérflua, e pensa-se que é um mundo de futilidades, risos e bem-estar geral. Como gostaríamos que isso pudesse ser mais verdadeiro.
Moda reflete Comportamento e vice-versa. Pode ser desejada como uma expressão de Arte em formas e cores ou apenas como a maneira mais adequada de vestir corpos nus. Esta última é considerada uma necessidade em nossa cultura, não devemos andar sem roupa por aí. A primeira pede alguma sofisticação do público-alvo. A satisfação em estar usando alguma peça que não apenas seja "necessária", mas que possa acrescentar estilo e personalidade.
Em qualquer opção é desejável que possa haver alguma alegria no vestir. Que possa não apenas ser uma necessidade e que possa trazer algum prazer, seja pela beleza ou pelo conforto. E aí entram designers, estilistas, técnicos e afins. Todos trabalhando, cada um com seu próprio objetivo.
Sun and Ipanema. A picture, a smile, a beautiful landscape behind. Happiness? Just a moment among many. I've learned we must enjoy every moment. Those of joy with even more joy, and accepting sadness with serenity. Having the consciousness that sadness and bad moments are part of our learning and t it is possible that we are being put to test, so that our strength and persistence will help us to continue, even better. Working with fashion is sometimes seen as unnecessary occupation, and many people think it's a world of futility, laughter and general welfare. How we wish that could be more true... Fashion reflects behavior and vice versa. It may be desired as an expression of Art in shapes and colors, or just the most appropriate way to dress naked bodies. The latter is considered a necessity in our culture, we shouldn't walk around without clothes. The first require some sophistication. The satisfaction of using something that is not just "necessary", but pieces that may add style and personality.
For any option it is important to have some joy in dressing. May it be not just a need, but also bring some pleasure, either for beauty or comfort. Then come designers, stylists, technicians and others. All working, each with its own purpose.
.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Economista x Artista
Hoje, deitado, viajo no tempo até Petrópolis. Vou fazer o vestibular pra Economia. Tenho 17 anos. Estudar não é difícil, aprender requer alguns métodos. Inventei um: faço uma gravação e fico escutando, relaxado e tomando sol. Concentrado.
Deu certo. Passei, em primeiro lugar, na PUC de Petrópolis. Alguém, sabendo de meus métodos, poderia me acusar de ser cdf? Nunca fui. Apenas prestava atenção. Não cursei a PUC. Estudei na UFRJ e me formei. Achava que seria herdeiro. Não fui. Meu pai acabou com tudo antes.
Meu pai. Um artista não realizado. Um advogado e empresário que não soube conviver com seu próprio sucesso financeiro e se entregou ao whisky. Quando o vi de verdade não dava mais tempo. Conheci, ao final de sua vida, um novo homem. Inteligente e sensível. Não aquele inteligente e distante que vi enquanto crescia.
De Economista me transformo, cada vez mais, em Artista. Assumi o que ele deixou, mas quero destino diferente.
Quero encontrar meu novo caminho.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Classe A+
Escrevi um pouco sobre isso no começo do Blog e volto agora. Não se mede mais o poder de uma pessoa pela simples posse de bens luxuosos. Com a agressividade do marketing e necessidade de consumo mais massificado, até o Luxo se tornou um pouco mais acessível, podendo ser pago em prestações no Brasil.
Os realmente requintados vêm procurando novos prazeres, mais ligados ao bem estar pessoal que ao acúmulo de bens. Assim, o novo chique é ser aparentemente mais despretensioso e enriquecer a vida em viagens exclusivas, spas maravilhosos, cuidados pessoais, algumas peças de roupa e acessórios que lhes dê real prazer, em combinação com peças básicas e confortáveis. O bem estar e inteligência acima do efeito demonstração. Em realidade, uma expressão de maior segurança, em oposição aos que ainda necessitam mostrar.
A jóia contemporânea, hipermoderna, não contempla fortunas e sim formas e efeitos. O Estilo passa a ser mais importante que o Poder.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Um Domingo longe da Moda.
Um Domingo longe da Moda. Nota postada no facebook.
Hoje passei um Domingo longe da Moda. Como sempre escrevo aqui, sou um cara eclético, que gosta de conhecer a vida, o mundo, as pessoas. Curto o luxo, a sofisticação e a beleza, mas penso na miséria, na simplicidade e no “feio” da vida.
E, afinal, o que é este “feio”? Hoje tive a oportunidade pra refletir sobre isso.
Tenho um Studio na Bela Vista, que alguns dizem ser o East Village de São Paulo, mas não concordo. Este bairro inclui desde cantinas italianas a casinhas charmosas e casas mal tratadas, grafitadas, habitadas com carência. Alguns diriam: “sim, também o East Village”.
Enfim, esta comparação pouco importa para o que vou relatar e só mostra o meu grilo falante viajado buzinando no meu ouvido, querendo fazer pose.
Dizia, então, que me afastei da Moda hoje. Fui para outra realidade. Primeiro uma festa junina de rua que, por estar em SP tinha muita pizza e massa pra vender nas barraquinhas. E um tal de pão de queijo no palito, que li mas não vi nem comi. Resolvi depois almoçar no centro, numa boa Padaria, a Palma de Ouro. Lembrei de Portugal e pedi “Alheiras”.
Resolvi, depois, que queria conhecer o recém reformado Cine Marabá, que agora tem cinco salas e mantém alguns detalhes do original. Saindo, `noite, resolvi atravessar a Ipiranga, perto da Av. São João, e comer kibe no Habib’s. Sou louco por comida árabe. Melhor, sou louco por comida. Ponto. Programa “popular” completo, como tem que ser. Não quero e não posso viver em redoma, até mesmo porque artistas precisam de informação e sentimentos de todos os tipos.
Ao começar a entrar para ir ao Caixa, ouvi uma voz ao meu ouvido, pedindo alguma coisa. Automaticamente não olhei, entrei e fui fazer meu pedido. Fiquei incomodado, no entanto. O que eu fazia, no Centro de São Paulo, domingo à noite, um pouco frio, cheio de mendigos enrolados em finos cobertores baratos e caixas de papelão? Fiquei desconfortável, não queria olhar a rua e estava com fome. E todos aqueles lá fora, bandidos ou não, com certeza com mais fome que eu, como distinguir, como não me envolver,como me proteger?
Procurei um canto pra esperar. Havia pedido uma caixa pra levar e comer em casa. Cheia de kibes e esfihas. Afinal, olhei a rua. Havia um jovem que me olhava, esperando uma resposta, uma ajuda. Coloquei a mão no bolso. Não posso deixar de dar algum dinheiro, pensei. Assim que o fiz, percebi que outros viram e se fixaram em mim. Se desse dinheiro para um, haveria um monte à minha volta. E o perigo? Que perigo eu correria? O que eles fariam com o dinheiro? Desisti e parei de olhar.
Minha caixa ficou pronta, cheia de comida. Olhei pra rua. Ainda havia o jovem e um garoto enrolado num cobertor, me espreitando. O que vem a seguir, foi uma sequência quase sem pensar, por um impulso talvez perigoso, mas do qual não me arrependo. Abri a caixa, coloquei as esfihas no guardanapo, com todo cuidado, como se fossem para um convidado, e levei pra eles. Olhei bem em seus olhos. Não queria que sentissem outra coisa, além do respeito que estava tendo, usando minhas melhores condições . Troca de olhares rápida, mas que me emociona até agora, enquanto escrevo. Um agradecimento simples para um oferecimento simples.
Voltei pra minha caixa árabe, querendo ir embora. Interessante, não tive medo de sair à rua pra chamar um taxi. Talvez perigosamente, eu estava confiante. E olhava, sem pena ou altivez, para alguns que se aproximavam. Os taxis não paravam, provavelmente com medo daqueles que estavam perto de mim. O rapaz a quem ofereci a esfiha veio me perguntar se eu queria que ele me trouxesse um taxi. O mesmo fez o vendedor de cartões de telefone, com sua boina “reggae” colorida, de quem comprei um (quem sabe um dia posso precisar?). O garoto do cobertor, que depois veio me pedir pra comprar uma vitamina, veio me mostrar o copo, pra provar que realmente comprara o refresco e não drogas. Mais algumas cenas, mas não vou lhes tomar o tempo mais.
Quero encerrar, dizendo que o rapaz me trouxe um taxi. Olhei a cara do motorista. Normal Arrisquei-me, é verdade, e tomei o taxi. De alguma maneira não me senti ameaçado, mas protegido. Deu tudo certo.
Sei que não devo repetir isso. Dentro do taxi uma emoção começou a me tomar. Uma vontade de chorar, que era uma mistura de tudo. De tanta coisa, que prefiro nem tentar descrever. Em casa, um pranto solto e emocionado, que deixei fluir.
E uma certeza agora. Preciso ajudar as pessoas. Senti como se fosse um recado, uma mensagem, uma missão.
bjs
Bjs no seu coração..
Alberto, sao momentos assim que mais me trazem satisfacao. A vida passa tao rapido...somos todos humanos, ahhh, Alberto, que alma belissima essa a sua. Explica-se toda a beleza que voce cria no seu trabalho.
Um beijo muito grande...e um forte abraco!
Gracas a Deus que apesar de tanta desgraca no mundo ainda conseguimos enxergar beleza nos pequenos gestos, nas pequenas coisas, que pra nós, sao pequenas, mas as vezes para os outros nao tem tamanho. E tudo com muita dignidade sim, pois eh importante. Saber estender a mao sem fazer com quem esta do ourto lado se sinta um caso de "caridade" nao eh qualquer um que sabe.
Um beijo e um brinde a essa amizade que cresce!
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Contrastes. Reflexões. Descobertas.
Hoje passei um Domingo longe da Moda. Como sempre escrevo aqui, sou um cara eclético, que gosta de conhecer a vida, o mundo, as pessoas. Curto o luxo, a sofisticação e a beleza, mas penso na miséria, na simplicidade e no “feio” da vida.
E, afinal, o que é este “feio”? Hoje tive a oportunidade pra refletir sobre isso.
Tenho um Studio na Bela Vista, que alguns dizem ser o East Village de São Paulo, mas não concordo. Este bairro inclui desde cantinas italianas a casinhas charmosas e casas mal tratadas, grafitadas, habitadas com carência. Alguns diriam: “sim, também o East Village”.
Enfim, esta comparação pouco importa para o que vou relatar e só mostra o meu grilo falante viajado buzinando no meu ouvido, querendo fazer pose.
Dizia, então, que me afastei da Moda hoje. Fui para outra realidade. Primeiro uma festa junina de rua que, por estar em SP tinha muita pizza e massa pra vender nas barraquinhas. E um tal de pão de queijo no palito, que li mas não vi nem comi. Resolvi depois almoçar no centro, numa boa Padaria, a Palma de Ouro. Lembrei de Portugal e pedi “Alheiras”.
Resolvi, depois, que queria conhecer o recém reformado Cine Marabá, que agora tem cinco salas e mantém alguns detalhes do original. Saindo, `noite, resolvi atravessar a Ipiranga, perto da Av. São João, e comer kibe no Habib’s. Sou louco por comida árabe. Melhor, sou louco por comida. Ponto. Programa “popular” completo, como tem que ser. Não quero e não posso viver em redoma, até mesmo porque artistas precisam de informação e sentimentos de todos os tipos.
Ao começar a entrar para ir ao Caixa, ouvi uma voz ao meu ouvido, pedindo alguma coisa. Automaticamente não olhei, entrei e fui fazer meu pedido. Fiquei incomodado, no entanto. O que eu fazia, no Centro de São Paulo, domingo à noite, um pouco frio, cheio de mendigos enrolados em finos cobertores baratos e caixas de papelão? Fiquei desconfortável, não queria olhar a rua e estava com fome. E todos aqueles lá fora, bandidos ou não, com certeza com mais fome que eu, como distinguir, como não me envolver,como me proteger?
Procurei um canto pra esperar. Havia pedido uma caixa pra levar e comer em casa. Cheia de kibes e esfihas. Afinal, olhei a rua. Havia um jovem que me olhava, esperando uma resposta, uma ajuda. Coloquei a mão no bolso. Não posso deixar de dar algum dinheiro, pensei. Assim que o fiz, percebi que outros viram e se fixaram em mim. Se desse dinheiro para um, haveria um monte à minha volta. E o perigo? Que perigo eu correria? O que eles fariam com o dinheiro? Desisti e parei de olhar.
Minha caixa ficou pronta, cheia de comida. Olhei pra rua. Ainda havia o jovem e um garoto enrolado num cobertor, me espreitando. O que vem a seguir, foi uma sequência quase sem pensar, por um impulso talvez perigoso, mas do qual não me arrependo. Abri a caixa, coloquei as esfihas no guardanapo, com todo cuidado, como se fossem para um convidado, e levei pra eles. Olhei bem em seus olhos. Não queria que sentissem outra coisa, além do respeito que estava tendo, usando minhas melhores condições . Troca de olhares rápida, mas que me emociona até agora, enquanto escrevo. Um agradecimento simples para um oferecimento simples.
Voltei pra minha caixa árabe, querendo ir embora. Interessante, não tive medo de sair à rua pra chamar um taxi. Talvez perigosamente, eu estava confiante. E olhava, sem pena ou altivez, para alguns que se aproximavam. Os taxis não paravam, provavelmente com medo daqueles que estavam perto de mim. O rapaz a quem ofereci a esfiha veio me perguntar se eu queria que ele me trouxesse um taxi. O mesmo fez o vendedor de cartões de telefone, com sua boina “reggae” colorida, de quem comprei um (quem sabe um dia posso precisar?). O garoto do cobertor, que depois veio me pedir pra comprar uma vitamina, veio me mostrar o copo, pra provar que realmente comprara o refresco e não drogas. Mais algumas cenas, mas não vou lhes tomar o tempo mais.
Quero encerrar, dizendo que o rapaz me trouxe um taxi. Olhei a cara do motorista. Normal Arrisquei-me, é verdade, e tomei o taxi. De alguma maneira não me senti ameaçado, mas protegido. Deu tudo certo.
Sei que não devo repetir isso. Dentro do taxi uma emoção começou a me tomar. Uma vontade de chorar, que era uma mistura de tudo. De tanta coisa, que prefiro nem tentar descrever. Em casa, um pranto solto e emocionado, que deixei fluir.
E uma certeza agora. Preciso ajudar as pessoas. Senti como se fosse um recado, uma mensagem, uma missão.
















