Alberto Sabino - Blog

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segunda-feira, 23 de março de 2009

Luxo Acima Da Crise - Enquete

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Gostaria de saber a opinião das pessoas sobre este assunto. Em matéria de Duilo Victor para a Revista Zona Sul do jornal "O Globo", de 19 de março de 2009, lojas dedicadas a peças de luxo e pesquisadores afirmam que os consumidores da Classe A tendem a responder que pretendem cortar os supérfluos, mas que a realidade das vendas aponta para o contrário, há filas de espera para os produtos mais caros.

Primeiro gostaria de saber se esta Classe A, não seria AAA. Depois qual o perfil deste consumidor. Afinal aí está a Melissa de Christiane Torloni em "Caminho das Indias" que pode ser uma caricatura, mas representa pessoas que existem. Ainda: com a virada que o Mundo está dando e o aumento da população que precisa de empregos, continuará a aumentar a oferta de bens supérfluos com preços incrivelmente artificiais? A vontade de mostrar poder e status será mantida por que tipo de pessoas e pelas mesmas razões que já existem?
E, pra deixar bem esclarecido: quando falo em preços artificiais, não estou me referindo aos produtos de altíssima qualidade, exclusividade máxima, acabamento impecável e design original. Ainda há que se agregar os altos custos com padrão de atendimento, instalações, embalagens, marketing e a criatividade fantástica e pioneira dos grandes estilistas. Quem frequenta as melhores lojas, de luxo mesmo, sabe a diferença entre uma ótima loja de Classe A e uma fantástica loja pra pouquíssimos privilegiados. A questão do preço artificial começa a complicar quando as grandes marcas que, mandando fazer suas peças em fábricas, muitas vezes no Oriente, com mão de obra mais barata e incentivos, ficam com o risco de serem copiadas ali mesmo e vendidas por um preço que não leva em conta todos estes adicionais que agregam valor ao produto e que são pagos, claro, por suas matrizes.


Pensando no início do século passado, quando só mesmo os muito ricos tinham acesso à peças de luxo, com segredos de criação e manufatura, e no início deste século quando uma classe ascendente e ávida de status já tinha acesso a produtos de griffe, mesmo que comprados em parcelas, fico imaginando como os tempos mudam mesmo. Porque, antes, acho que os riquíssimos tradicionais só usavam os produtos raros e caros e, agora, estes mesmos riquíssimos são adeptos do hi-lo, ficando muito atual esta mistura, além de criativa, também politicamente correta. Mamão com açúcar.

Que bom que os tempos mudem, que as pessoas se adaptem, que fiquem mais conscientes e saibam medir melhor os valores, tanto financeiros, como pessoais. O Comunismo foi difícil de colocar em prática com justiça e eficácia. Mesmo dentro dos países sob este regime havia uma classe privilegiada. Lembro, em uma visita à China, em 1993, que nossa guia contava o problema de se distribuir a riqueza igualmente para os que trabalhavam mais, ou eram mais competentes e dedicados, e os que não se esforçavam.

Voltando ao preço artificial, o ponto é que, se é possível adquirir produtos muito semelhantes, seja pela cópia, seja pelo uso de materiais modernos mais baratos, seja por que motivo for, por um preço bem inferior, o charme e a exclusividade do atendimento das lojas de luxo dá o diferencial e o clima perfeito de redoma, do mundo a parte, do glamour, do clube fechado, que faz a diferença para os privilegiados que gostam de viver assim. E pagam por isso.

Que tomem cuidado, no entanto, os que gostariam de ser muito ricos e não são, e se deixam levar pelo marketing, pela imagem da perfeição, do modelo imposto para aqueles que são inseguros ou que necessitam muito ser aceitos com imagem de sucesso. Que o mundo possa evoluir para uma convivência mais real, menos preconceituosa e com mais liberdade e respeito à personalidade e recursos de cada um.

Nenhuma loja cara está assaltando quem entra e compra. Ali dentro o mundo real é aquele. E a beleza está no simples ou no luxuoso, no básico ou no supérfluo. Escolha o seu, ou faça o seu mix, já que o foco está na Moda. Vamos deixar que o tempo se encarregue de mostrar o caminho, mas que as pessoas nunca se prejudiquem por serem obrigadas mais a ter do que ser.

É assunto polêmico. Radicais à parte, há muito o que se avaliar e considerar.

Qual a sua opinião?

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